Mike Brown e colaboradores descobrem a primeira família colisional de Objectos Trans-Neptunianos, também conhecidos por objectos da Cintura de Kuiper. Os resultados já haviam sido anunciados por K. Barkume, aluna de doutoramento de Mike Brown, em Outubro de 2006 na conferência da Division for Planetary Sciences, em Pasadena, E.U.A. O artigo acaba de sair na revista Nature (Brown et al. 2007, Nature, 446, 294-296).
O trabalho identifica um grupo de Objectos Trans-Neptunianos (abreviado por TNOs) como os "restos" resultantes de uma violenta colisão entre dois corpos. Este grupo de TNOs era caracterizado pela presença de fortes bandas de absorção devido ao gelo de água na sua superfície, não se detectando a presença de gelo de metano. Note-se que 3 dos maiores TNOs, Plutão (2320 km de diâmetro), Eris (2400 km) e 2005FY9 (cerca de 1600-2000 km) possuem gelo de metano na sua superfície. Os TNOs sem metano normalmente revelam pouco ou nenhum gelo de água (falamos aqui apenas da superfície, o interior é outra questão). Porém os objectos: 2003EL61 (cerca de 1500 km), 1995SM55, 1996TO66, 2002TX300, 2003OP32, 2005RR43 e o S/2005(2003EL61)1 - o satélite mais brilhante do 2003EL61-, possuem fortes bandas de absorção devido ao gelo de água não se detectando a presença de gelo de metano. Este facto chamou a atenção para estes objectos.
Uma análise da sua dinâmica orbital mostrou que todos estes objectos possuem órbitas semelhantes à do 2003EL61 concluindo-se que são de facto os "restos" da colisão entre o proto-2003EL61 (i.e. o antigo 2003EL61) e um outro objecto. As simulações sugerem que 20% da massa do proto-2003EL61 pode ser lançada para o espaço se colidir com um objecto de 60% do seu tamanho a cerca de 3 km/s (10000 km/h).
O facto do 2003EL61 ter a forma de uma bola de râguebi, possuir dois satélites, ter uma densidade de massa bastante elevada e um "dia" de apenas 4 horas era já um indicador que, no passado, este objecto tinha sofrido uma colisão violenta que ejectara o seu manto de gelos original deixando-o com dois satélites e forma de melão.
Para nos apercebermos da dificuldade desta descoberta, imaginemos uma "festa" numa loja de faianças em que cada pessoa tem um bastão de basebol... No dia seguinte vamos olhar para os cacos e tentar descobrir se havia um dálmata de loiça e onde estava sentado. A comparação não é exagerada.
O estudo dos Trans-Neptunianos, feito nos limites das capacidades dos maiores telescópios, continua a surpreender.
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quarta-feira, 14 de março de 2007
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Colisões de Cometas na Nebulosa da Hélice

[Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. Arizona]
Kate Su (Universidade do Arizona, EUA) e colaboradores, descobrem evidências de um elevado número de colisões entre cometas na Nebulosa da Hélice, utilizando o
Telescópio Espacial Spitzer (NASA).
A Nebulosa da Hélice está a cerca de 700 anos-luz de distância da Terra e é a fase final de uma estrela semelhante ao Sol: uma anã branca rodeada por uma distante nuvem de gases e poeiras.
O Telescópio Spitzer opera no infra-vermelho não obtendo, portanto, imagens no visível como o Telescópio Hubble. Porém, é capaz de detectar a radiação térmica quer de objectos próximos mas muito pequenos quer de objectos a enormes distâncias. As diferentes intensidades da radiação detectadas são transformadas em cores falsas para assim se criar uma imagem.
A equipa de Kate Su conseguiu detectar um excesso de "brilho térmico" entre as 35 e as 150 Unidades Astronómicas (1 UA = Distância da Terra ao Sol = 150 000 000 km) de distância da anã branca no centro da Nebulosa da Hélice, muito provavelmente devido a um disco de poeiras. Não se esperava encontrar poeiras a tais distâncias numa estrela deste tipo. No entanto, no nosso Sistema Solar, à mesma distância do Sol, encontra-se a Cintura de Kuiper que é, na verdade, um grande reservatório de cometas que, simplificando, não são mais que "bolas de gelo e poeiras". É então muito provável que as poeiras detectadas tenham sido libertadas por um grande número de colisões entre cometas que orbitam, ou orbitavam, a estrela central da nebulosa.
O comunicado de imprensa do Spitzer está disponível on-line.
O resumo do artigo: Su et al., 2007, Debris Disk around the Central Star of the Helix Nebula?, Astrophysical Journal Letters, Vol. 657, L41-L46, está também disponível.
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