Há 5 anos E. Lellouch, R. Moreno e G. Paubert avançaram esta ideia em trabalho publicado na revista Astronomy & Astrophysics. Os elevados valores de Monóxido de Carbono (CO) que detectavam em Neptuno, utilizando o rádio-telescópio de 30 m IRAM, poderiam ser explicados desta forma.
A ideia voltou a ganhar força com as novas medições realizadas pelo telescópio espacial Herschel apresentadas e discutidas por P. Hartogh numa conferência da Sociedade Astronómica Americana no passado dia 24 de Maio, segundo noticiado na revista Nature.
A interpretação não é a única possível, claro, mas é sem dúvida a mais interessante.
Mostrar mensagens com a etiqueta Cometas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cometas. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Água na Cintura de Asteróides
Já não era novidade. Vários estudos indicavam que o asteróide Ceres (agora também planeta-anão) possuía algum gelo de água. A descoberta dos Cometas da Cintura Principal (em inglês: Main Belt Comets) em 2006, implicava que estes seriam compostos por uma grande quantidade de água (em princípio, claro). Desde então a busca de mais destes cometas tem sido intensa. Uma das famílias dinâmicas da asteróides (que são muitas e com nomes muito exóticos), a família Themis, era suspeita de ser a zona onde existiriam mais destes novos cometas. Dois artigos publicados agora, simultaneamente, na revista Nature, um por Humberto Campins e oito colaboradores, e outro por Andrew Rivkin e Joshua Emery, mostram que o asteróide 24 Themis possui gelo de água e compostos orgânicos na sua superfície, sem se mostrar em actividade cometária, formando cauda e cabeleira, como o fazem normalmente os cometas a essas distâncias do Sol. A possibilidade de parte, ou toda, da água da Terra ter vindo do Espaço através dos impactos de cometas e asteróides ganha nova força, não esquecendo também o possível papel catalisador de vida que os compostos orgânicos trazidos por estes corpos pode ter tido. O estudo dos pequenos corpos do Sistema Solar continua a ser das áreas mais activas da Astronomia oferecendo-nos constantemente resultados excitantes.
Etiquetas:
Água,
Astronomia,
Cintura de Asteróides,
Cometas
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Bolsa de Integração na Investigação em Astronomia
Está aberto concurso até dia 5 de Julho de 2009 para uma Bolsa de Integração na Investigação (BII) com o tema: "Estudo do cometa Holmes" sob a minha orientação. A bolsa é do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra e destina-se a alunos do 1 ciclo do Ensino Superior. Existem ainda outros 11 projectos no mesmo centro. Concorram depressa!
Anúncio em: http://tinyurl.com/kp3xuo.
Anúncio em: http://tinyurl.com/kp3xuo.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Cometa Holmes maior que o Sol
Anteriormente, o Sol era o maior objecto no Sistema Solar. Presentemente, o cometa 17P/Holmes possui essa distinção.
Medições da coma do cometa Holmes, de observações realizadas a 9 de Novembro 2007, por Rachel Stevenson, Jan Kleyna e Pedro Lacerda, mostram que o seu diâmetro já atingiu os 1400 milhões de kilómetros. Um valor ligeiramente superior ao diâmetro do Sol.
O comunicado de imprensa lançado pela nossa equipa [em inglês] pode ser consultado na página do IfA ou directamente aqui.
O fenómeno foi noticiado pelo jornal Star Bulletin [clique aqui para ler (em inglês)].

[Legenda: À esquerda imagem do cometa Holmes utilizando o telescópio de 3.6 metros CFHT, situado no Mauna Kea, Hawaii, exibindo uma coma de 1400 milhões de kilómetros. O ponto de aparência estelar no centro da coma é o núcleo envolto numa muito densa nuvem de poeiras. À direita temos o Sol e o planeta Saturno na mesma escala para comparação directa dos tamanhos (cortesia da NASA).]
Medições da coma do cometa Holmes, de observações realizadas a 9 de Novembro 2007, por Rachel Stevenson, Jan Kleyna e Pedro Lacerda, mostram que o seu diâmetro já atingiu os 1400 milhões de kilómetros. Um valor ligeiramente superior ao diâmetro do Sol.
O comunicado de imprensa lançado pela nossa equipa [em inglês] pode ser consultado na página do IfA ou directamente aqui.
O fenómeno foi noticiado pelo jornal Star Bulletin [clique aqui para ler (em inglês)].
[Legenda: À esquerda imagem do cometa Holmes utilizando o telescópio de 3.6 metros CFHT, situado no Mauna Kea, Hawaii, exibindo uma coma de 1400 milhões de kilómetros. O ponto de aparência estelar no centro da coma é o núcleo envolto numa muito densa nuvem de poeiras. À direita temos o Sol e o planeta Saturno na mesma escala para comparação directa dos tamanhos (cortesia da NASA).]
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Holmes: Um Estudo em Vermelho
A recente e impressionante "explosão" de actividade do cometa 17P/Holmes gerou uma verdadeira corrida para obter tempo de telescópio. Não fomos excepção. Para nossa grande felicidade a noite de quinta-feira, 25 de Outubro, do telescópio de 2.2 metros da Universidade do Hawaii, situado no Mauna Kea (Hawaii, EUA) estava atribuída a Pedro Lacerda para o estudo de pequenos corpos do Sistema Solar. De imediato David Jewitt, Pedro Lacerda, Jan Kleyna, eu, Rachel Stevenson e Bin Yang nos acotovelámos na pequena sala de controlo do telescópio enquanto se alterava o programa de observações para um estudo do cometa Holmes. Pode-se ver aqui uma das imagens obtidas.

[Legenda: Imagem do cometa 17P/Holmes em cores falsas laranja e vermelhas que representam a intensidade da luz reflectida pelo material ejectado pelo núcleo do cometa. A imagem foi obtida no telescópio UH2.2m com um tempo de exposição total de 21 segundos.]
A coma circular, quase perfeitamente circular, tem um diâmetro de aproximadamente 160000 km (quase metade da distância da Terra à Lua) e expande-se a uma velocidade de cerca de 2000 km/h. Tudo indica que o cometa se fragmentou. No entanto, devido à intensa sublimação de gelos e ejecção de poeiras que rodeiam o cometa não se conseguem distinguir nenhuns eventuais fragmentos (pelo menos para já). Até agora ainda não se detectou nenhuma cauda. É possível que não seja ainda visível devido à lua cheia e ao grande clarão que esta lança no céu, o que nos impede de ver os fenómenos mais ténues.
O jornal "Star Bulletin" dedicou um artigo ao assunto [clique aqui para ver].

[Legenda: Imagem do cometa 17P/Holmes em cores falsas laranja e vermelhas que representam a intensidade da luz reflectida pelo material ejectado pelo núcleo do cometa. A imagem foi obtida no telescópio UH2.2m com um tempo de exposição total de 21 segundos.]
A coma circular, quase perfeitamente circular, tem um diâmetro de aproximadamente 160000 km (quase metade da distância da Terra à Lua) e expande-se a uma velocidade de cerca de 2000 km/h. Tudo indica que o cometa se fragmentou. No entanto, devido à intensa sublimação de gelos e ejecção de poeiras que rodeiam o cometa não se conseguem distinguir nenhuns eventuais fragmentos (pelo menos para já). Até agora ainda não se detectou nenhuma cauda. É possível que não seja ainda visível devido à lua cheia e ao grande clarão que esta lança no céu, o que nos impede de ver os fenómenos mais ténues.
O jornal "Star Bulletin" dedicou um artigo ao assunto [clique aqui para ver].
sábado, 16 de junho de 2007
Cometas na Cintura de Asteróides: a reactivação do 133P/Elst-Pizzaro
Dave Jewitt, Pedro Lacerda e eu, acabámos de detectar a reactivação do cometa 133P [ver a figura]. Esta reactivação surge um pouco antes do esperado [ver a Circular do IAU, comentada, no fim deste post]. O 133P é um dos três "cometas da cintura principal" (CCPs) conhecidos [i.e. cometas na cintura principal de asteróides, que se encontra entre Marte e Júpiter], cujo diâmetro rondará os 5 km.

[Legenda: Cometa 133P ao centro da imagem. A figura é uma soma de várias imagens centradas no cometa (que se vai movendo) daí as estrelas parecem arrastadas]
Esta nova classe de cometas foi apenas identificada em 2006, por H. Hsieh e D. Jewitt [ver também o comunicado de imprensa].
A existência destes cometas no "meio" da cintura de asteróides ilustra bem o quanto ainda há para saber sobre os cometas e os asteróides. Principalmente sobre a distinção entre estas duas classes de objectos. [Não é apenas a distinção entre planeta, planeta anão e pequeno corpo que é polémica!]
Uma consequência imediata da existência destes cometas da cintura principal (CCPs) é poderem ter sido uma fonte significativa da água na Terra. As actuais medições de cometas anteriormente conhecidos sugerem que estes apenas poderão ser responsáveis por uma parte da água na Terra (cerca de 10%). Porém, estes novos CCPs não aparentam ser antigos cometas de curto período [digamos: cometas típicos] que alteraram a sua órbita para a cintura de asteróides, aparentando sim serem "nativos" daquela região. Assim sendo, os CCPs poderão ter, e provavelmente terão, uma composição química apreciavelmente diferente dos cometas típicos. Estes novos cometas podem muito bem conter os segredos da origem dos nossos oceanos.
Circular No. 8847 [comentada]
Central Bureau for Astronomical Telegrams
INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION
COMETA 133P/ELST-PIZARRO
D. Jewitt, P. Lacerda, e N. Peixinho, Universidade do Hawaii, comunicam que o cometa 133P/Elst-Pizarro = pequeno corpo (7968) Elst-Pizarro se tornou activo após um longo período de inactividade. Observações no óptico [visível] com o telescópio de 2.2 m da Universidade do Hawaii, a 11 de Junho, mostram uma cauda direita com pelo menos 20 segundos de arco de comprimento [correspondendo a pelo menos 26000 km, dado o objecto se encontrar a 1.812 Unidades Astronómicas da Terra] num ângulo posicional de 256 graus [ângulo com o Pólo Norte Celeste, neste caso o topo da imagem, medido no sentido anti-horário]. A magnitude aparente no vermelho [i.e. com um filtro centrado no comprimento de onda de cerca de 650 nm] dentro de uma abertura de 8 segundos de arco [...] é aproximadamente de 19.5. Actividade no 133P foi observada na última vez em Dezembro de 2002. O ressurgimento de actividade próximo do periélio [ponto da órbita em que o objecto está mais próximo do Sol, a acontecer no dia 29 de Junho de 2007] é consistente com a identificação deste objecto como um pequeno corpo portador de gelos [não apenas água mas também outros como por exemplo: metano, monóxido de carbono, dióxido de carbono] ou "cometa da cintura principal" (Hsieh et al. 2004, Astronomical Journal, vol. 127, pag. 2997). Encorajam-se observações para caracterizar a evolução da perda de massa [devido à sublimação dos gelos e libertação de poeiras] nos próximos meses.

[Legenda: Cometa 133P ao centro da imagem. A figura é uma soma de várias imagens centradas no cometa (que se vai movendo) daí as estrelas parecem arrastadas]
Esta nova classe de cometas foi apenas identificada em 2006, por H. Hsieh e D. Jewitt [ver também o comunicado de imprensa].
A existência destes cometas no "meio" da cintura de asteróides ilustra bem o quanto ainda há para saber sobre os cometas e os asteróides. Principalmente sobre a distinção entre estas duas classes de objectos. [Não é apenas a distinção entre planeta, planeta anão e pequeno corpo que é polémica!]
Uma consequência imediata da existência destes cometas da cintura principal (CCPs) é poderem ter sido uma fonte significativa da água na Terra. As actuais medições de cometas anteriormente conhecidos sugerem que estes apenas poderão ser responsáveis por uma parte da água na Terra (cerca de 10%). Porém, estes novos CCPs não aparentam ser antigos cometas de curto período [digamos: cometas típicos] que alteraram a sua órbita para a cintura de asteróides, aparentando sim serem "nativos" daquela região. Assim sendo, os CCPs poderão ter, e provavelmente terão, uma composição química apreciavelmente diferente dos cometas típicos. Estes novos cometas podem muito bem conter os segredos da origem dos nossos oceanos.
Circular No. 8847 [comentada]
Central Bureau for Astronomical Telegrams
INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION
COMETA 133P/ELST-PIZARRO
D. Jewitt, P. Lacerda, e N. Peixinho, Universidade do Hawaii, comunicam que o cometa 133P/Elst-Pizarro = pequeno corpo (7968) Elst-Pizarro se tornou activo após um longo período de inactividade. Observações no óptico [visível] com o telescópio de 2.2 m da Universidade do Hawaii, a 11 de Junho, mostram uma cauda direita com pelo menos 20 segundos de arco de comprimento [correspondendo a pelo menos 26000 km, dado o objecto se encontrar a 1.812 Unidades Astronómicas da Terra] num ângulo posicional de 256 graus [ângulo com o Pólo Norte Celeste, neste caso o topo da imagem, medido no sentido anti-horário]. A magnitude aparente no vermelho [i.e. com um filtro centrado no comprimento de onda de cerca de 650 nm] dentro de uma abertura de 8 segundos de arco [...] é aproximadamente de 19.5. Actividade no 133P foi observada na última vez em Dezembro de 2002. O ressurgimento de actividade próximo do periélio [ponto da órbita em que o objecto está mais próximo do Sol, a acontecer no dia 29 de Junho de 2007] é consistente com a identificação deste objecto como um pequeno corpo portador de gelos [não apenas água mas também outros como por exemplo: metano, monóxido de carbono, dióxido de carbono] ou "cometa da cintura principal" (Hsieh et al. 2004, Astronomical Journal, vol. 127, pag. 2997). Encorajam-se observações para caracterizar a evolução da perda de massa [devido à sublimação dos gelos e libertação de poeiras] nos próximos meses.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Colisões de Cometas na Nebulosa da Hélice

[Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. Arizona]
Kate Su (Universidade do Arizona, EUA) e colaboradores, descobrem evidências de um elevado número de colisões entre cometas na Nebulosa da Hélice, utilizando o
Telescópio Espacial Spitzer (NASA).
A Nebulosa da Hélice está a cerca de 700 anos-luz de distância da Terra e é a fase final de uma estrela semelhante ao Sol: uma anã branca rodeada por uma distante nuvem de gases e poeiras.
O Telescópio Spitzer opera no infra-vermelho não obtendo, portanto, imagens no visível como o Telescópio Hubble. Porém, é capaz de detectar a radiação térmica quer de objectos próximos mas muito pequenos quer de objectos a enormes distâncias. As diferentes intensidades da radiação detectadas são transformadas em cores falsas para assim se criar uma imagem.
A equipa de Kate Su conseguiu detectar um excesso de "brilho térmico" entre as 35 e as 150 Unidades Astronómicas (1 UA = Distância da Terra ao Sol = 150 000 000 km) de distância da anã branca no centro da Nebulosa da Hélice, muito provavelmente devido a um disco de poeiras. Não se esperava encontrar poeiras a tais distâncias numa estrela deste tipo. No entanto, no nosso Sistema Solar, à mesma distância do Sol, encontra-se a Cintura de Kuiper que é, na verdade, um grande reservatório de cometas que, simplificando, não são mais que "bolas de gelo e poeiras". É então muito provável que as poeiras detectadas tenham sido libertadas por um grande número de colisões entre cometas que orbitam, ou orbitavam, a estrela central da nebulosa.
O comunicado de imprensa do Spitzer está disponível on-line.
O resumo do artigo: Su et al., 2007, Debris Disk around the Central Star of the Helix Nebula?, Astrophysical Journal Letters, Vol. 657, L41-L46, está também disponível.
Etiquetas:
Cintura de Kuiper,
Colisões,
Cometas,
Nebulosa da Hélice
Subscrever:
Mensagens (Atom)